Fonte: Diário de S. Paulo – 31/01/2010 – Páginas 15 e 16
O Diário de S. Paulo entrevistou Adamaris Gallucci, sócia da Loja da Mel, especializada em brinquedos antigos.
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usto é bem menor que o de uma loja física. Empreendedor consegue obter uma renda média de R$ 4.600
O sonho de abrir o próprio negócio pode ser menos arriscado e mais barato. Basta que o empreendedor aprenda a navegar na internet e se tome um empresário digital. Segundo dados da e-bit, consultoria em comércio eletrônico, as compras de Natal cresceram 30% em relação ao ano anterior, com vendas de R$ 1,63 bilhão.
Pesquisa do iMasters para o Sebrae-SP mostra que o empreendedor digital tem renda média de R$ 4.600. Nada mal para um meio que exige investimento inicial inferior aos negócios físicos.
Segundo Pedro Guasti, diretor-geral da e-bit, é possivel manter um site de vendas com meio de pagamento seguro por R$1 mil reais. “O custo é, bem menor que alugr uma loja, arcar com luvas, multa de romper o contrato, contas de luz, telefone” diz.Antonio Carlos Larubia, consultor do Sebrae-SP.
Além disso, o risco é menor. No início do negócio, o empresário pode começar aos poucos e conciliar a loja virtual com um emprego normal. “Pode investir o mínimo possível para experimentar. Se não der certo, pode migrar para outro produto sem muito prejuizo’, afirma o diretor-executivo da câmara-e.net, Gerson Rolin. À medida que os pedidos vão crescéndo, é preciso se dedicar totalmente à loja. .
Foi o que fez a designer Cristiane Lorenzi. Com o filho Gabriel, que é publiCitário em uma empresa de internet, ela abriu há um ano uma loja virtual de almofadas personalizadas, a GA. Por meio de anúncios no Google e em redes sociais como o ,Orkut, o negócio deslanchou.
Apenas no Natal, foram vendidas quase 300 almofadas com preço médio de RS 65, um faturamento de R$ 20 mil. E isso sem que nenhum dos dois deixasse os outros trabalhos. Mãe e filho imprimem as fotos em um tecido em casa, e depois enviam para costura terceirizada. “Ajudou o fato de eu entender de tecidos e conhecer boas costureiras. Meu filho entrou com o conhecimento em publicidade na internet” diz Cristiane.
Além disso, o segredo dos bons resultados deve-se à qualidade no serviço e no atendimento. “Temos um custo alto pelo bom material e pela costura de qualidade” diz. Devido à insegurança dos clientes, Cristiane deixou o próprio telefone no site, e responde às dúvidas. “Até convenço a comprarem mais”, afirma a empresária.
Porém, não se deve esquecer procedimentos básicos para o sucesso de uma empresa, priocipalmente a realização de um plano de negócios. “O empreendedor deve pesquisar a área em que pretende atuar e descobrir se o seu cliente compra pela internel” diz Larubia.
Além da manutenção do site, o empreendedor deve se preocupar com a publicidade e a logística do negócio. Ter um anúncio no Google, por exemplo, é fundamental e custa apenas alguns centavos por clique do internauta. “Não existe vitrine na internet. Então, se não anunciar, não vai ser encontrado”, alerta Gerson Rolim.
Outra preocupação é com o atendimento. Para o dirigente da câmara-e.net, o cliente digital está acostumado à rapidez da internet. Por isso, a loja deve ter pelo menos um e-mail para contato direto. De preferência, deve disponibilizar também um telefone.
Caminho para pequenos é venda de ítens segmentados
O empreendedor digital tem clientes em potencial no mundo todo, e não apenas nas redondezas do bairro, como um negócio tradicional. Porém deve estudar bem o produto que irá vender. A aparente liberdade da internet esconde a concorrência desisgual das grandes lojas.
Por isso, especialistas indicam que os pequenos devem se concentrar na venda de produtos e serviços especializados. “Não dá certo brigar com o preço das grandes lojas, porque elas tem escala”, diz Pedro Guasti, da e-bit.
O caminho são os nichos como livros técnicos, produtos para animais domésticos, ítens de artesanato, roupas ou lingeries de tamanhos grandes, peças para modelismo, acessórios para carros offroad etc. Segundo Gerson Rolim, não há espaço para os pequenos empresários na venda de eletrônicos, informática, livros, cds e dvds tradicionais. “A área de brindes personalizados também é boa, mas é preciso pesquisar antes na internet os nichos mal cobertos”, diz.
Outro caminha para começar sem gastar muito é vender em sites maiores, como o MercadoLive e Elo7 (específico para artesanato). A vantagem é não precisar investir em divulgação, apenas pagar comissão pelas vendas. Helisson Lemos, diretor de marketing do MercadoLivre, recomenda não ser muito agressivo no início. “O vendedor pode não conseguir atender a todos os pedidos nem responder às perguntas dos interessados.” Após em depressão por conta de um cirurgia Ada Gallucci, de 56 anos, começou a vender brinquedos antigos no MercadoLivre com a ajuda das filhas. Em oito meses, já comercializou 430 itens, com preço médio de R$ 30 reais. “Foi uma maneira fantástica de não ficar parada e ainda faturar um pouco”.